segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Canários



Entre os passarinhos que, com seus gorjeios e trinados, alegram-nos os lares, nenhum há mais popular que o canário. É a linda avezinha tão pouco exigente na alimentação e nos cuidados, a ponto de ser mínimo o lapso de tempo empregado em seu simples tratamento. Em compensação desse pequeno trabalho, ele nos delicia os ouvidos com seus belos cantos. Facilmente adaptável à vida de prisioneiro o canário se faz logo manso, coisa que não acontece com os outros pássaros, quando são caçados e postos em gaiolas e, ainda mais, ou melhor, o que é tudo, aninha sem mais rodeios e reproduz em viveiros. Nisso tudo vai a imensa estima e popularidade em que é tido o encantador passarinho. Os canários têm sido domesticados há séculos e, pode-se dizer, onde vai a civilização também vão eles. Em toda a Europa, na Ásia e pode-se dizer em todo o mundo, assim bem como em nosso país existem milhares de canários reprodutores e muitas sociedades destinadas à criação e aperfeiçoamento da raça. Vários jornais e revistas se editam em alguns países, ocupando-se exclusivamente de pássaros de gaiolas e, nas grandes cidades há, anualmente, exposições dos melhores produtos.
Parece que os canários se aclimatam bem por toda a parte, desde que se os não exponha aos rigores do tempo. Quando já estão habituados, eles são capazes de suportar surpreendentes graus de frio, onde, talvez, outros pássaros sucumbissem. Não é coisa rara na Inglaterra, vê-los sadiamente em viveiros externos, durante o ano inteiro.
ALIMENTAÇÃO
Como dissemos linhas atrás, são simples as exigências alimentares do canário. Alpiste a que tem sido acrescentadas algumas sementes de nabiça e um bocadinho de cânhamo, eis uma ração principal que, quem possui apenas alguns pássaros geralmente compra já misturada. Além da ração de sementes, também dá-se aos canários alguma verdura, especialmente a couve, muita couve, colocando as folhas entre as varetas da gaiola.
Consoante a estação, esse cardápio pode ser alterado, fornecendo-se aos canários ora uns biscoitinhos ora alguma fruta fresca, agora algum "pé de galinha", mais tarde, um bocado de alface. Principalmente na primavera e no começo do verão, os agriões, a aveia silvestre, as diversas espécies de grama, são aconselháveis. Também é muito bom o pão molhado em leite a escaldar, dado frio e por intervalos. As comidinhas delicadas não devem ser ministradas aos canários demasiadamente úmidas. Tudo quanto for alimentação úmida deve ser dado rigorosamente fresco e limpo, pois em caso contrário adoecerão as avezinhas. Siba também nunca deve faltar nas gaiolas e nos viveiros de canários. O cânhamo, conquanto um bom auxiliar da ração, não deve ser dado em excesso, porque engorda e pode tornar os canários tão moleirões, a ponto de pararem de cantar e, casos excepcionais, chegarem mesmo a morrer.

BANHOS - Normalmente, a maior parte dos pássaros toma banho todos os dias, pelo que se deve furtar aos passarinhos cativos a mesma oportunidade. Nas gaiolas abertas, usadas comumente para passarinhos de canto, para que eles se banhem à vontade retira-se o fundo das mesmas, colocando-as sobre uma vasilha que contenha água. Quando as gaiolas são abertas na frente e não possuam fundo móvel, costuma-se ajustar-lhes à porta aberta pequenas gaiolas-banheiros. Tais gaiolinhas, enquanto tenham apelas algumas polegadas de largura comportam sempre um prato para água. Muitos jamais viram banho e, mesmo que se lhes ofereça algum banho e, mesmo que lhes ofereça algum não sabem para que serve. Quase sempre o hábito de renovar-se a ração de alpiste e a água de beber, faz provocar nos pássaros engaiolados o desejo de tomar banho; não se lhes dando eles procurarão arranjar-se com a pouca da água que lhes puserem para beber. Quando algum passarinho teimar em não tomar banho, ponha-se no fundo do prato-banheiro alguma areia limpa e ele não resistirá mais. Após as abluções, escorre-se toda água, indo a areia, ainda dentro do prato, enxugar, a fim de servir para mais vezes. Durante a muda, o pássaro não deverá banhar-se mais que duas vezes na semana. A canária não poderá banhar-se desde o dia da eclosão dos ovos até que os filhotes tenham três ou quatro dias de idade.

CRIAÇÃO - Para canários, no Brasil, a época de reprodução começa propriamente a 15 de Julho. Há amadores que conservam os casais durante o ano inteiro: a prática aconselha porém, ter os sexos separados, exceto quando em reprodução. Quando vai se aproximando o tempo de procriação, os canários cantam vigorosamente, com gorjeios demorados e altos, e tornando-se impacientes, muito ativos. As canárias - até então indiferentes, respondem com umas chamadinhas altas, batem as asinhas e demonstram, por todos os modos seu interesse. Reúnem-se  os casais sem ser preciso o aparecimento de tais indícios mas, geralmente, isso serve apenas para prolongar o tempo de procriação, não advindo daí nenhum resultado prático. Quando se fizer mister, o instinto de reprodução deve ser excitado pela junção de ovos e verdura à ração comum. Havendo oportunidade, os canários engaiolados são polígamos, pelo que muitos criadores colocam duas e até mesmo três canárias para um só companheiro. Outros, mais acertadamente, mantém seus canários aos pares, não só por ser mais fácil de lidar com eles, como ainda porque nascidos os filhotes, também os machos auxiliarão as canárias nos cuidados dos primeiros tempos. Quando houver bigamia, o canário deve ser posto em uma gaiola dividida por corrediças em três compartimentos. O macho fica no aposento do meio, indo uma canária para cada lado. Durante meio dia o sultão satisfará a uma das companheiras indo, na outra metade do dia, ficar com a outra. Com esta disposição, haverá em cada aposento a indispensável ração completa. Começando as canárias a incubar, o macho entra logo em disponibilidade. Para um casal somente, fabricam-se gaiolas, tendo uma divisão de arame corrediça. Colocam-se cada qual em seu compartimento, deixando-se que travem relações. O macho começará logo a dar de comer à canária, através das grades, isso ao cabo de um ou dois dias ou, talvez mesmo, à primeira vista. Observadas as boas relações, move-se a corrediça, ficando o casal à vontade.


parte da monografia norte-americana.\http://www.ao.com.br/m_ccanan.htm

Nenhum comentário:

Postar um comentário